Chapeleiros de Campinas têm nariz grande

Eu estava preparando um outro post, mas certas demonstrações públicas de cara-de-pau merecem precedência. Já faz algum tempo que a um certo chapeleiro de Campinas dá entrevistas dizendo que ele fabricou os chapéus usados pelo Harrison Ford na série Indiana Jones.

Esse cara é um picareta.

No making-of da caixa de DVDs da trilogia (sim, trilogia: é melhor ignorar o quarto filme), a figurinista fala sobre a dificuldade que a produção teve para achar o chapéu certo, em detalhes. Em nenhum momento é dito que o chapéu foi importado do Brasil – de fato, muito pelo contrário: o chapéu foi encomendado na tradicional chapelaria Herbert Johnson, em Londres. Isso é confirmado em artigos na Wikipedia e no IMDB.

Como o texto no IMDB está lá no meio da página, vale colar a parte relevante aqui:

Indiana Jones’s hat came from the famous Herbert Johnson hat shop in Saville Row, London. The hat was the shop’s Australian model. On the Bonus Features DVD, costume designer Deborah Nadoolman said that in order to properly age the hat, she grabbed and twisted the hat, then she and Harrison Ford both sat on it, and it eventually looked like “a very lived-in and well-loved” hat.

Isso demonstra não só a má fé do chapeleiro como a avidez do ufanismo bobo inerente à maior parte dos brasileiros. Nem vou mencionar a incompetência dos jornalistas do Globo porque isso já virou rotina. Vale lembrar que, com o lançamento do filme novo, o making-of foi exibido na TV a cabo diversas vezes.

UPDATE: Aparentemente o chapeleiro saiu metralhando releases para todos os maiores jornais brasileiros e TODOS engoliram. O jornalismo brasileiro anda vergonhoso!

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6 Comments

  1. Posted 4/06/08 at 11:43 am | Permalink

    Mas.. se a chapelaria Inglesa terceiriza a produção e compra do chapeleiro de campinas? =)

    FZero: Se você ler o que o tal chapeleiro diz, você vai ver que na história que ele inventou o estúdio entrou em contato diretamente com ele. Ou seja… não foi o caso. É picaretagem mesmo.

  2. Posted 4/06/08 at 2:26 pm | Permalink

    Sem contar que, um pouco de pesquisa mostra que os chapeleiros ingleses em questão são daqueles tradicionais demais para terceirizarem a produção – existem desde 1889 e fazem uniformes para a guarda real inglesa. DUVIDO que importem de um chapeleiro de Campinas.

  3. Posted 4/06/08 at 6:01 pm | Permalink

    É claro que isso é mentira. Quem faz o chapéu SOU EU.

  4. hmbr
    Posted 4/06/08 at 10:55 pm | Permalink

    De acordo com o site http://www.indygear.com/igfedora.html, os chapéus da Herbert Johnson no filme The Raiders of the Lost Ark eram feitos com feltro da brasileira Cury.

    Depois a Herbert Johnson, para cortar custos, passou a comprar de um fabricante mais barato.

    O chapéu do primeiro filme é o mais famoso, mais até mesmo a forma dele não foi mais utilizada pelo Herbert Johnson.

    Digamos que o brasileiro contou apenas metade da história.

    FZero: Concorda que utilizar feltro brasileiro – matéria-prima sem forma ou desenho próprio, portanto – é BEM DIFERENTE de fazer o chapéu inteiro e sair alardeando por aí o feito? Continuo dizendo: é um picareta.

  5. LUIZ FRANCO
    Posted 7/07/08 at 4:34 pm | Permalink

    É fácil, caberia o tal chapeleiro campineiro, (em se tratando de produto de exportação), exibir garbosamente, as notas ficais, ou qualquer outro documento aduaneiro.

  6. A. Miguéis
    Posted 23/10/09 at 12:29 pm | Permalink

    Tá todo mundo delirando nesse blog. O produto nem é invenção da tradicional fábrica de Campinas (que exporta para o mundo todo, inclusive para os EUA, que são os maiores fabricantes), mas não é picaretagem. O que os adolescentes de plantão não sabem é que os chapeleiros ingleses são estilistas (os maiores do mundo) e como tais só fabricam os protótipos que criam. As fábricas produzem em série e o contrato com a Lucas Film é exclusivo dos caras de Campinas. Querem conferir, examinem o produto e vejam o selo da Lucas Film. Visitem a Receita Federal e a PF e examinem a documentação, se conseguirem quebrar o sigilo.

    FZero: Obrigado pelo “adolescentes”, me senti 20 anos mais novo agora.

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